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Transtornos mentais na infância e adolescência: por que reconhecer os sinais desde cedo é importante

Dados recentes reforçam a importância de olhar para a saúde mental desde os primeiros anos de vida. Um estudo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), publicado no The Lancet Regional Health – Americas, aponta que 20% dos brasileiros entre 5 e 29 anos convivem com pelo menos um transtorno mental.
Segundo a pesquisa, aproximadamente 1 em cada 10 crianças de 5 a 9 anos preenche critérios para pelo menos um transtorno mental. O levantamento também aponta que essa proporção aumenta com a idade e chega a quase 25% entre os jovens de 25 a 29 anos.
Os números ajudam a mostrar que questões relacionadas à saúde mental não começam necessariamente na vida adulta. Ansiedade, alterações de humor e outros transtornos podem surgir ainda nos primeiros anos de vida e, quando não são reconhecidos e acompanhados adequadamente, podem interferir no desenvolvimento, na aprendizagem, nas relações sociais e na qualidade de vida.
Por isso, identificar mudanças no comportamento e oferecer acolhimento e acompanhamento quando necessário é importante em todas as etapas do desenvolvimento.
Neste artigo, você vai entender:
→ O que os dados sobre transtornos mentais entre crianças e jovens brasileiros mostram;
→ Por que alguns sinais de sofrimento emocional podem passar despercebidos na infância;
→ Como os transtornos mentais podem se manifestar em diferentes fases da vida;
→ Por que reconhecer os sinais precocemente é importante;
→ Quando buscar avaliação e acompanhamento profissional.
Quantas crianças e jovens brasileiros convivem com transtornos mentais?
O estudo realizado por pesquisadores da UFRGS identificou que 20% dos brasileiros entre 5 e 29 anos apresentam pelo menos um transtorno mental.
Entre as crianças de 5 a 9 anos, aproximadamente 10% preenchem critérios para pelo menos um transtorno mental.
A proporção aumenta progressivamente nas faixas etárias seguintes e chega a quase 25% entre pessoas de 25 a 29 anos.
Os dados mostram que o sofrimento relacionado à saúde mental está presente em diferentes momentos do desenvolvimento e reforçam a importância de ampliar a atenção a essas condições desde a infância.
Por que os sinais de transtornos mentais podem passar despercebidos na infância?
Nem sempre uma criança consegue identificar ou explicar aquilo que está sentindo. Em vez de dizer que está ansiosa, triste ou emocionalmente sobrecarregada, ela pode demonstrar mudanças no comportamento.
Alterações no sono, irritabilidade, dificuldade de concentração, queda no desempenho escolar, isolamento, mudanças no apetite ou perda de interesse por atividades que antes despertavam entusiasmo podem ser algumas dessas manifestações.
O problema é que essas mudanças podem ser interpretadas apenas como "fase", "birra", "falta de disciplina" ou características próprias da idade.
Isso não significa que toda alteração de comportamento seja sinal de um transtorno mental. Crianças também passam por momentos de tristeza, medo, irritação e insegurança, que fazem parte do desenvolvimento.
O que merece atenção é quando essas mudanças são persistentes, intensas ou começam a interferir no funcionamento da criança em casa, na escola ou em suas relações.
Quais transtornos mentais podem aparecer na infância e na adolescência?
Diversas condições de saúde mental podem se manifestar durante a infância e a adolescência, incluindo transtornos de ansiedade, depressão, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), transtornos relacionados ao comportamento e outros quadros.
A forma como cada condição se manifesta pode variar de acordo com a idade e com as características individuais.
Uma criança pode apresentar principalmente alterações comportamentais, enquanto um adolescente pode conseguir expressar com mais clareza sentimentos de ansiedade, tristeza, insegurança ou desesperança.
Por isso, não existe uma lista única de comportamentos que permita identificar um transtorno mental. A avaliação deve considerar o desenvolvimento esperado para aquela faixa etária, o contexto familiar e escolar e a intensidade e duração das mudanças observadas.
A saúde mental piora conforme a pessoa envelhece?
Os dados do estudo mostram que a proporção de pessoas com transtornos mentais aumenta nas faixas etárias analisadas, chegando a quase 25% entre os 25 e 29 anos.
Isso não significa, porém, que envelhecer necessariamente cause transtornos mentais.
Cada etapa da vida apresenta desafios diferentes. Na infância, podem surgir dificuldades relacionadas ao desenvolvimento, à escola e às relações familiares e sociais. Na adolescência, mudanças físicas, emocionais e sociais podem se somar a novas cobranças e responsabilidades.
Já na vida adulta, trabalho, relacionamentos, responsabilidades financeiras, mudanças familiares e outras situações podem representar fontes adicionais de estresse.
O cuidado com a saúde mental, portanto, precisa acompanhar essas diferentes fases e considerar as necessidades específicas de cada momento da vida.
Por que é importante reconhecer os sinais de sofrimento emocional desde cedo?
Reconhecer mudanças persistentes no comportamento ou no estado emocional permite que a situação seja avaliada antes que o sofrimento cause impactos maiores.
Isso não significa que todo problema de saúde mental possa ser evitado quando identificado precocemente. Também não significa que uma criança ou adolescente com determinados sinais necessariamente desenvolverá um transtorno.
O objetivo é não ignorar manifestações que fogem do padrão habitual daquela pessoa.
Quando existe uma mudança significativa e persistente, procurar orientação profissional pode ajudar a compreender o que está acontecendo, identificar possíveis causas e definir o cuidado mais adequado.
O acompanhamento também pode oferecer suporte à família, ajudando pais e responsáveis a entenderem melhor as necessidades da criança ou do adolescente.
Como os pais e responsáveis podem perceber que algo não está bem?
Mais do que observar um comportamento isolado, é importante prestar atenção a mudanças significativas em relação ao que era habitual para aquela criança ou adolescente.
Alguns sinais que merecem atenção incluem:
- Alterações persistentes no sono;
- Mudanças importantes no apetite ou na alimentação;
- Irritabilidade ou mudanças frequentes de humor;
- Queda repentina no rendimento escolar;
- Dificuldade de concentração;
- Isolamento ou perda de interesse em atividades;
- Medos ou preocupações excessivas;
- Queixas físicas recorrentes sem uma causa aparente;
- Mudanças importantes no comportamento;
- Dificuldade crescente para lidar com atividades e situações que antes eram habituais.
Esses sinais não permitem estabelecer um diagnóstico por conta própria. Eles servem como indicadores de que pode ser necessário observar a situação com mais cuidado e, se houver persistência ou prejuízo na vida da criança, buscar avaliação profissional.
Quando procurar ajuda profissional para uma criança ou adolescente?
A avaliação de um profissional de saúde mental pode ser importante quando mudanças emocionais ou comportamentais persistem, provocam sofrimento ou interferem na vida familiar, escolar ou social.
Também é indicado buscar orientação quando pais ou responsáveis percebem que não estão conseguindo compreender ou lidar com determinada mudança no comportamento da criança ou do adolescente.
Psicólogos e psiquiatras podem avaliar cada situação individualmente e, quando necessário, orientar o tratamento e o acompanhamento mais adequado.
Quanto antes uma dificuldade é reconhecida, mais cedo a criança ou o adolescente pode receber o suporte necessário.
Os dados sobre transtornos mentais entre crianças, adolescentes e jovens brasileiros ajudam a dimensionar uma realidade que merece atenção, mas também reforçam a importância de olhar para cada pessoa além dos números.
Infância, adolescência e vida adulta apresentam desafios diferentes, e o cuidado com a saúde mental precisa acompanhar cada uma dessas fases.
Nem todo sinal significa um transtorno. Mas mudanças persistentes no comportamento, no humor, no sono, na alimentação ou na forma de se relacionar podem indicar que algo precisa ser observado com mais atenção.
Reconhecer esses sinais, acolher o que está sendo vivido e buscar ajuda quando necessário também são formas imprescindíveis de cuidado. A saúde mental não deve ser deixada para depois!